Pequeno manual de instruções para o professor
O Pequeno Manual de Instruções para o Professor é um livro de dicas e
As idéias presentes neste livro permitirão que o professor aprimore ainda mais seu potencial pedagógico, cooperando para o desenvolvimento do ensino, uma área tão importante mas paradoxalmente tão desprezada pela nossa sociedade.
HOMER ADAMS e SARA ADAMS JOHNSON são professores e têm vários anos de experiência em sala de aula.
1. Seja um exemplo de cortesia, boas maneiras e espírito esportivo.
Nossos alunos são como espelhos. Eles refletem nossas atitudes na vida.
2. Seja autêntico.
Diga “não sei”, se for necessário, e procure trazer o esclarecimento na próxima aula.
Mas faça o possível para não usar a expressão com demasiada freqüência.
3. Um dos papéis mais importantes do professor é o de estimular.
Deixe seus alunos saberem que você acredita neles. Elogie em público.
Repreenda em particular.
4. Cortesia e bondade são difíceis de expressar. Mas sabemos que costumam retornar na mesma proporção.
Mostre a seus alunos que você se preocupa com eles e com sua segurança.
5. Se cada pessoa varresse a frente da sua casa, o mundo seria uma beleza.
Estimule os alunos a desenvolver bons hábitos de limpeza e ordem.
Desenvolva as noções de boa higiene sem fazer menção a alguma criança em particular. Estimule a responsabilidade de cada um por si mesmo.
6. Nunca deixe de lado seus propósitos.
Os professores querem sucesso não apenas por causa do orgulho pessoal e profissional, mas principalmente porque querem ver seus alunos bem-sucedidos.
7. Mantenha-se atualizado.
Professores participantes incorporam eventos atuais significativos em suas atividades de ensino. Leia jornais e revistas. Isso ajudará nas discussões em classe.
8. Os alunos precisam saber que você acredita neles.
Expresse claramente a sua confiança. Diga-lhes que terão sucesso.
9. É importante os alunos desenvolverem o pensamento crítico.
Treine seus alunos para pensar criticamente, dando-lhes a tarefa de escrever um resumo de cada um de seus dias, durante 21 dias, retratando o que aconteceu, o que foi bom, o que foi desagradável e o porquê.
10. O sistema de notas deve premiar, não punir.
Desenvolva um sistema de notas que premie o esforço e a energia gasta a mais com a escola e com as atividades acadêmicas.
"Diz-me como avalias e eu te direi que professor és" (Zabala-1999)
Aproxima-se o final do ano letivo e o processo de avaliação começa a gerar preocupações. Com diferentes olhares, teóricos, estudiosos, educadores, pais e alunos criam expectativas quanto a esses resultados. Vamos iniciar por compreender o tema, através da educadora Gilvaneide Oliveira, da UFRPE.
AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM
Possibilidades da realidade docente
Nesse espaço, estou socializando as minhas concepções e preocupações sobre o tema avaliação da aprendizagem, que considero importante, difícil de ser exercitado e inconsistente no que se refere às práticas avaliativas que ora se configuram na maioria das escolas públicas e particulares de nosso país.
Avaliar é uma tarefa que exige certa objetividade e clareza dos sujeitos nela envolvidos. Porém, apesar das dificuldades na sua realização, não se trata de algo inatingível, que apresenta obstáculos intransponíveis, e sim de algo que necessita ser encarado com todas as suas peculiaridades, como, por exemplo, seu caráter processual. No entanto, ao nos deparar com um momento avaliativo, faz-se necessário pensar sobre questões como: para que vou avaliar? O que vou avaliar? Como vou avaliar?
Ao refletirmos sobre essas questões, estamos nos aproximando do objeto avaliado, no sentido de deixar mais claros objetivos e critérios usados na avaliação. Tais critérios, por sua vez, serão usados nas análises a serem realizadas e no julgamento a ser feito, dando subsídio para a tomada de decisão e o redimensionamento, se necessário, da proposta didática vivenciada.
No encontro da 55ª SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, realizado no período de 13 a 18 de julho na UFPE, especificamente numa conferência sobre avaliação, foi afirmado que: “em nossas escolas, não existe nem nunca existiu avaliação, nossos professores não avaliam, pois, ao aplicarem provas e testes e aferirem resultados, não estão avaliando, por isso não existe uma cultura de avaliação, ou seja, não existe avaliação”.
Questões como essas deixam professores um tanto sem rumo, é como tirar-lhes o chão dos seus pés, afinal trata-se do único referencial que têm sobre como avaliar seus alunos. Essa é uma visão distorcida, dos professores, do conceito de avaliação, que, para a grande maioria, é confundida com o ato de examinar, representado por uma prática de aplicação de testes e provas. Esse relato irá fornecer alguns pontos em nossa reflexão.
Avaliar é uma ação rotineira e espontânea, realizada por qualquer pessoa acerca de qualquer atividade humana; é, assim, um instrumento fundamental para conhecer, compreender, aperfeiçoar e orientar ações de indivíduos ou grupos. É uma forma de olhar o passado e o presente sempre com vistas ao futuro. Faz parte de instrumentos de sobrevivência de qualquer indivíduo, resultando de uma necessidade natural, instintiva, de sobreviver, evitando riscos e buscando prazer e realizações.
Porém, esse procedimento se faz insuficiente quando avaliamos a aprendizagem dos alunos de um determinado curso ou programa. Para esses casos, faz-se necessário um programa avaliativo com características distintas e possibilidades de compreender todas as implicações e dimensões das atividades, dos fatos ou da coisa avaliada, e assim poder redimensioná-los. Com isso, podemos dizer que se entende a avaliação como um processo sistêmico de análise de um determinado dado, permitindo compreender, de forma contextualizada, todas as suas dimensões e implicações com vistas a estimular
todo o seu aperfeiçoamento, caracterizando, assim, uma avaliação formativa (Hadji, 2001, Perrenoud, 1999).
Esse norte serve para os professores que, mesmo diante das condições sociopolíticas com as quais lidam no dia-a-dia, no espaço escolar, não têm condições legítimas para o exercício efetivo de uma avaliação formativa. Que pelo menos seja formada uma consciência sobre essas limitações e lhes sirva de estímulo e condições técnicas para construírem espaços de reivindicações e mobilizações na tentativa da implementação da mesma.
Uma discussão que se faz necessária é estabelecer diferença entre o medir e o avaliar. Os atos de medir são geralmente caracterizados pelos exames, que são pontuais e precisos, pois medem o desempenho dos alunos naquele momento, gerando com isso uma classificação em aprovados ou reprovados, em está ou não está na média, caracterizando-se como excludentes, pois não há, necessariamente, uma análise qualitativa desses resultados, um julgamento nem uma tomada de decisão; enfim, não há uma preocupação com a construção do conhecimento. Já a avaliação é processual, dinâmica, inclusiva e construtiva, apresenta uma intencionalidade e se caracteriza por ser informativa para os sujeitos envolvidos, professores e alunos, para que ambos tomem consciência da realidade e possam investir na regulação e no redimensio-namento do processo ensino–aprendizagem.
Considerando a realidade na qual estão inseridos os nossos professores e suas provas e testes, apresentamos como proposta o repensar e reelaborar seus instrumentos, tornando-os mais úteis, no sentido de contribuir, de forma significativa, para o processo avaliativo. Nessa perspectiva, Paulo Ronca e Cleide Terzi apresentam uma proposta: A prova operatória, um instrumento que proporciona ao aluno viver intensamente construção e reconstrução de conceitos ao longo do caminho da aprendizagem e, ao professor, poder verificar se os alunos estão de posse dos conteúdos básicos, se sabem pensar, argumentar e se contrapor, ou seja, se sabem operar tais conteúdos a partir de leitura, compreensão e interpretação de questões.
São características desse instrumento: partir sempre de um texto que apresente um contexto, tornando a análise mais profunda e abrangente; estabelecer relação não mais com o leitor e a pergunta, mas com o leitor e o contexto, via texto; memorizar passa a ser um meio, não mais um fim em si mesmo; considerar um espaço amplo para que os alunos possam criar e escrever seus pensamentos; apresentar enunciados elaborados na forma de problemas que se caracterizam por serem mais interrogativos, mais complexos, mais amplos e exigirem respostas mais elaboradas, com maior composição e combinação; apresentar sempre fatos, idéias, fenômenos e concepções em textos contextualiza-dos, favorecendo o pensamento, a argumentação e a discussão numa perspectiva dialética (Ronca e Terzi, 1991).
Nessa perspectiva, as aulas deverão ser repensadas e reestrutu-radas segundo as características supracitadas, pois deverá sempre haver uma percepção clara da unidade existente entre o ministrar aulas e o avaliar, enfim, o planejar em todas as suas dimensões. Nesse sentido, a aula é caracterizada pela postura do professor que se apresenta como líder de um forte relacionamento interpessoal com os alunos, num intenso controle e com trocas afetivas. Nela, o professor não se sente e não se vê apenas reproduzindo um conteúdo, mas, sim, construindo, junto com seus alunos, o conteúdo a ser estudado, e ambos se sentem co-autores e, conseqüentemente, co-responsáveis em todo o processo educativo.
pensamentos para auxiliar os professores no seu dia-a-dia profissional. Nele, professores com larga experiência apresentam sugestões, citações e orientações que levarão o leitor a refletir sobre sua atuação e performance em sala de aula.
