Rádio Duda Campos Show

Radio Duda Campos Show.......Vale apena ouvir de novo...duda campos

"CONFESSO QUE ESCREVO DE PALPITE, COMO OUTRAS PESSOAS TOCAM PIANO DE OUVIDO."(RUBEM BRAGA)


Eu,acreditei em mim

E eu que acreditei seus olhos serem meus,
que até pensei no tempo que a gente merecia,
que te olhei até o último minuto sem nem supor explicação.
Vi tudo desabar dentro de mim,
Porque seus olhos são de todos os olhares
e seu forte não é a pesca, mas o mar.
Nem nunca estive ao seu lado,
nem nunca te tive só meu.
E ainda assim acreditei em cada palavra sua,
que cada palavra sua era puramente minha,
que cada sentido meu era seu também.
E tenho que rir de tudo isso, e tenho que rir pra você.
Porque não há nada além de geléia no chão.
Era tudo só meu, só eu, só eu sendo você.


Meu castelo
E não venha me dizer que nem viu o dia passar!
Nós dois sabemos muito bem que esperamos a noite chegar
e até sorrimos ao pensar nela já no céu.
Evitei os seus olhos e me evitei um pouco também.
Porque por mais que me delicie com todas essas estrelas, o sol ofusca todas elas
e faz um dia melhor que o outro, mesmo nos dias de chuva.
Mas a noite esteve boa com tantas novidades tradicionais, as surpresas esperadas o dia inteiro.
E nem dá pra negar que esperamos por cada escasso minuto daquela noite, porque estava explícito no ar, nas mesas, nas áureas e em tantos olhares não trocados.
E vi o fluir natural das coisas, tudo voltando para o seu devido lugar - de onde nem deveria ter saído (mas, já que saiu, aproveita rir um pouco)!
E o que espera adiante não dá pra saber.
o Dia é seguro, é bom, é claro, mas ainda não acabou a graça de ver a noite chegar...
PASSOS EM VÃO
Como me deixei parar aqui?
Não sei.
Também não sei quando, nem onde exatamente estou.
Mas deveria prever tudo isso.
Que não sou ninguém, que sou só mais uma
que era só pra rir um pouco.
Como vim parar aqui, não sei.
Também não sei quanto tempo fico.
Mas ainda estou e estarei até o fim
pra que mais tarde eu não tenha que sair outra vez.
Vou viver tudo isso, caminhar todo esse breu,
conhecer cada parte minha ao seu lado e catar meus caquinhos na caverna de você
pra gente poder sorrir outra vez
Vou catar seus caquinhos dentro de mim
pra gente se olhar sem mais nada acontecer.
Apenas sair e sorrir, sem precisar espantar males ou quebrar muros, transpor muralhas
Eu deveria prever seus instintos, suas defesas,
nem vederia ter entrado nesse tunel
nem deveria ter te olhado tão fundo.
Agora estou aqui dentro de não sei onde,
fazendo papel de não sei quem
porque nada disso estava no script.
E eu que imaginei a gente sem muralhas e muros...
Deixa os muros onde estão, eu não tinha nada que tentar escalar...


Entre a cruz
Não dava para saber, quem saberia?
Quem veria que seria assim?
A ordem de chegada
É como deve ser
Somos iguais no que não devemos
Você se parece com o meu espelho
E o que não se encaixa nos dispersa
Deixa como está
E fica bem e sorria pra mim
Para não ficar tão ruim assim
Há um pássaro na mão
Muito mais lindo, muito mais doce, que nem quer voar
E você voa muito longe!
Voa, mas volta, não vai assim tão longe
Para a gente rir de novo
Desculpe por não ser, por não querer, por não querer ser
Mesmo querendo
Como é que a gente ia saber que nossos erros são tão iguais?
Somos uma causa perdida muito antes de se encontrar
Porque um “SE” muda tudo em todos
Lamento tudo isso, lamento lamentar
Não dava para ver tantos olhos recíprocos
Somos quem devemos ser, iguais no que nos difere,
Diferentes no restante.

Plural

Eu sei que te amo, que você me completa, que nascemos uma para o outro
Sei porque sei. Porque é assim que tem qu ser, porque é o que devemos ser,
porque já era para ser antes de tudo.
Eu sei porque ainda suspiro lamentando o que fez,
porque ainda rio de você rindo
porque ainda me perco lembrando das suas falas,
porque ainda me pego pensando em você

Sei porque quando vejo outro alguém ainda penso em você
e se nao for você, então também não serei eu
porque tem que ser você, porque sempre foi você

E, ainda que você me faça chorar, me faça doer
é o tempo e você que me fazem sarar
Porque você me conhece, você me aceita, você me ajuda
e eu ajudo você. Porque somos o que somos
partes um do outro, pedaços desse amor
simétricos
Somos quem devemos ser e devemos lutar para ser sempre.

Eu sei que te amo porque ainda sinto tudo isso
e ainda paro para pensar em você,
se você fizesse, se você estivesse, se você pensasse.
Porque se você não pensar em mim ainda chove aqui dentro
Porque somos assim, partes de um só.
Porque Ele disse, porque Ele fex, porque Ele é.


Laços

Hoje fiquei pensando nas amizades, nos laços invisíveis que sustentam o viver.
Alguns destes meus laços se desfizeram por algum ou nenhum motivo, não sei dizer, se apartaram de mim, não sei se para sempre.
E me fiz triste desde então, tento manter a força, vezes sofro, vezes supero, vezes desdenho morta de saudade.
Será que eu também já parti dos laços de um amigo?
Será que eu disse adeus? Fechei a porta ao sair ou deixei a triste imagem de partir sem olhar para atrás?
Sinto falta destes meus laços que enfeitavam meus cabelos, meus vestidos, meus sapatos, enfeitavam minha vida dos pés à cabeça.
Mas os laços são fitas que se abraçam, não cordas que se amarram.
E as fitas podem ir ao vento, ainda que deixem um laço incompleto, amizade só é amizade quando as fitas se abraçam.
Aqui estou, uma fita lilás a lamentar suas saudades reprimidas.
Outros laços tenho, outros laços virão, mas a porta estará sempre aberta esperando as fitas que se foram sem olhar para atrás.


Escrever por Escrever

Eu queria escrever um dia, ao acaso, palavras lindas.
Sinceras e lindas palavras que ele talvez lesse apenas por ler, com um risinho sapeca entre os lábios e sentisse tanta alegria como se criança fosse. Queria que ele se pusesse à janela com o papel em mãos e ali ficasse com os olhos perdidos, brilhando de saudades de mim e, de repente, dançasse com sua mãe de modo que ela risse dizendo “estas palavras te fazem muito bem”... E depois ele saísse a mostrar ao mundo seu contentamento.
Então, lá no céu, um anjo curioso e chorão correria para copiar minhas palavras e mostrá-las aos outros. Queria que lenços de papel fossem passados de mão em mão, entre risos e lágrimas de anjo e um dissesse “que belas palavras!” e outro “viu a felicidade dele?” E ainda outro “vale a pena ficar de olho lá em baixo”... E o anjo curioso voasse a levar minhas palavras ao Mestre. E este, atarefado com o Universo, anunciasse “Andou xeretando lá em baixo de novo. Ah! Você...”"e o curioso anjo, soluçando, respondesse “o Senhor precisa ler isto aqui” e o bom Mestre, rindo da inocência angelical, resumisse “eu mesmo dei a ela estas palavras”. E, virando-se para o anjo, perguntasse: “O que achou da reação dele?” O anjo, olhando o papel e analisando cada palavra, sussurraria “Ninguém ficou mais feliz do que ele...” O mestre, orgulhoso pelo que fez, alertaria “Espere para vê-los daqui pra frente!” e, vendo o anjo sair a espiar-me, recomendaria “leve o papel ao Braga, ele ficará feliz em ler isto. Afinal, eu a fiz inspirar-se nos escritos daquele velho!!!”
Ao ler minhas palavras, o Braga se deixaria cair numa cadeira, embabacado e soltaria um “Corra! Quero vê-los!”
E, então, o céu alvoroçado festejaria, embora não houvesse ninguém mais feliz pelas minhas palavras do que ele, que as lera apenas por ler.

Contador de Visitas

Contador de visitas